Uma das questões mais controversas sobre a política de imigração dos EUA nos últimos tempos chegou oficialmente a uma conclusão. A 30 de junho de 2026, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos proferiu uma decisão que revogou o Decreto Executivo n.º 14160 do Presidente Donald Trump, reafirmando assim o princípio da cidadania por direito de nascimento (birthright citizenship), protegido pela 14.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Esta decisão mantém o princípio que tem vindo a ser aplicado há mais de um século: a maioria das crianças nascidas no território dos Estados Unidos é reconhecida como cidadã norte-americana, independentemente de os pais possuírem um visto temporário ou não terem um estatuto de imigração legal.
O que é que o Supremo Tribunal dos EUA decidiu?
Por uma votação de 6 a 3, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarou que o Decreto Executivo n.º 14160 violava a 14.ª Emenda e não podia ser utilizado para restringir os direitos dos cidadãos com base no local de nascimento.
Este decreto foi assinado em janeiro de 2025 com o objetivo de negar a cidadania norte-americana a certas crianças nascidas nos Estados Unidos, caso os pais não fossem cidadãos ou residentes permanentes legais. No entanto, o Tribunal considerou que a cidadania por nascimento é um direito constitucional e não pode ser alterada por um decreto executivo.
Implicações para quem possui um visto temporário nos EUA
Para as pessoas que vivem e trabalham nos EUA ao abrigo de vistos como o H-1B, L-1, F-1, J-1 ou O-1, esta decisão traz clareza jurídica.
Assim, se a criança nascer em território norte-americano, continuará a ser reconhecida como cidadã dos Estados Unidos, nos termos da Constituição, tal como tem vindo a acontecer há várias décadas.
Os direitos das crianças não dependem do estatuto de imigração dos pais
Um aspeto importante da decisão é que a cidadania das crianças nascidas nos Estados Unidos não é afetada pelo facto de os pais terem ou não um estatuto de imigração legal.
Isto significa que o estatuto de residência ou quaisquer questões jurídicas relacionadas com o processo de imigração dos pais não alterarão a cidadania da criança, caso esta tenha nascido no território dos Estados Unidos, de acordo com a legislação em vigor.
Não serão criados novos procedimentos administrativos
Após a decisão do Supremo Tribunal, o processo de emissão de documentos para recém-nascidos nos EUA continua a ser realizado como antes.
As autoridades competentes não têm de verificar o estatuto de imigração dos pais antes de emitirem a certidão de nascimento, o número de Segurança Social (Social Security Number) ou o passaporte norte-americano para as crianças. Isto contribui para garantir a estabilidade e a uniformidade na aplicação da lei em todo o território dos Estados Unidos.
O que devem os imigrantes ter em conta?
Embora a decisão tenha confirmado que o direito à cidadania por local de nascimento continua a ser protegido, isso não significa que as outras políticas de imigração não venham a sofrer alterações.
As disposições relativas a vistos, ao Green Card, à imigração por investimento ou ao controlo das fronteiras podem ainda ser alteradas através de nova legislação ou de decisões das autoridades competentes. Por isso, os imigrantes e as famílias que planeiam estabelecer-se a longo prazo nos EUA devem manter-se a par das informações através de fontes oficiais e consultar especialistas sempre que necessário.
Conclusão
A decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, proferida a 30 de junho de 2026, não só rejeitou a tentativa de restringir o direito à cidadania por nascimento, como também reafirmou o valor da 14.ª Emenda — o fundamento jurídico que tem protegido o direito à cidadania por nascimento nos Estados Unidos há mais de 125 anos.
Para a comunidade de imigrantes, esta é uma decisão importante que contribui para manter a estabilidade jurídica das crianças nascidas nos EUA. No entanto, num contexto em que as políticas de imigração estão sujeitas a alterações, é essencial acompanhar as novidades para proteger de forma proativa os direitos próprios e os da família.


