Ao longo de muitos anos, o conceito de «segundo passaporte» tem sido frequentemente referido como um instrumento que ajuda os seus titulares a alargar as suas possibilidades de viajar para o estrangeiro. No entanto, para o grupo de investidores com um património avultado, o valor de um direito de residência ou de uma segunda nacionalidade está a ser cada vez mais encarado de uma perspetiva mais ampla.

Não se trata apenas de mais um passaporte. Pode ser mais um local onde viver, um mercado para diversificar o património, uma opção educativa para as gerações futuras e um plano de contingência caso o contexto económico, político ou social do país atual venha a mudar.

A América do Norte tornou-se uma das maiores fontes de clientes do setor da migração por investimento, ao mesmo tempo que os motivos para procurar uma segunda residência vão cada vez mais além do simples objetivo de obter isenção de visto em vários países.

Da expressão «segundo passaporte» à expressão «segunda residência»

Para os investidores provenientes de países com passaportes de grande prestígio, como os Estados Unidos, a aquisição de uma segunda nacionalidade não implica necessariamente uma grande diferença em termos de liberdade de circulação.

O que eles procuram, acima de tudo, é a «opcionalidade» – a possibilidade de terem mais opções caso as circunstâncias mudem.

Uma segunda autorização de residência pode proporcionar a possibilidade de mudar de local de residência quando necessário, aceder a um sistema educativo diferente, expandir as atividades empresariais ou transferir uma parte do património para um novo mercado.

De acordo com o inquérito «Investment Migration Executive Survey 2025», a procura por programas de migração por investimento por parte dos norte-americanos aumentou significativamente. 40% das empresas que participaram no inquérito indicaram que a América do Norte é atualmente o seu maior mercado de clientes, enquanto 50% identificaram os norte-americanos como o grupo de clientes que mais cresce.

Mais notável ainda é o facto de o fator «liberdade de circulação», que antes predominava, ser agora considerado a principal razão pelos clientes por apenas cerca de um quarto das empresas inquiridas. Em vez disso, fatores como a instabilidade política, os conflitos, o custo de vida e o desejo de ter mais opções para a família estão a ganhar cada vez mais importância.

O direito de residência está a tornar-se uma espécie de «ativo estratégico»

Na gestão tradicional de ativos, os investidores costumam dar importância à diversificação da carteira entre imóveis, ações, obrigações, dinheiro ou outros tipos de ativos.

No entanto, para as famílias com um património avultado, surge cada vez mais uma outra questão: será que todo o património, as atividades empresariais e o futuro da família dependem demasiado de um único país?

O direito de residência num segundo país pode ajudar a reduzir esse nível de dependência.

Não se trata de um ativo financeiro no sentido habitual, mas pode desempenhar o papel de uma camada adicional de opções numa estratégia de gestão de risco a longo prazo.

A diversificação não se resume apenas à distribuição do dinheiro

Um investidor pode deter ações norte-americanas, imóveis na Ásia e contas bancárias em vários países. No entanto, se todos os direitos de residência, a educação dos filhos e as atividades empresariais continuarem a depender de um único mercado, o nível de diversificação efetivo poderá ainda ser limitado.

Por isso, cada vez mais famílias com património avultado consideram a aquisição de um segundo direito de residência como parte integrante de um processo global de diversificação.

Esta diversificação pode incluir o local de residência, o ambiente educativo, os mercados de investimento, as atividades empresariais, os planos de sucessão patrimonial e a liberdade de circulação dos membros da família.

O «Plano B» não significa que seja necessário abandonar o país onde se vive atualmente

Um dos equívocos mais comuns sobre a segunda residência ou a segunda cidadania é a ideia de que o titular tem de ter a intenção de abandonar o seu país de origem ou de passar a viver a longo prazo noutro país.

Na verdade, muitos investidores procuram obter uma segunda residência simplesmente porque querem ter mais opções.

Podem continuar a viver, a exercer a sua atividade empresarial e a investir no país onde se encontram atualmente, mas, ao mesmo tempo, devem elaborar um plano de contingência para utilizar quando necessário.

O maior valor de um «Plano B» nem sempre reside na sua aplicação imediata, mas sim no facto de a opção já estar definida antes de surgir a necessidade real.

O que é que isto significa para os investidores vietnamitas?

Para as famílias vietnamitas com um património avultado, a questão já não se resume apenas a «quanto património possuo?».

Outra questão que se coloca é: «Em que medida é que os bens, o direito de residência e o futuro da família dependem do mercado?»

Num mundo marcado por muitas instabilidades económicas, políticas e geopolíticas, a obtenção de um direito de residência de longa duração pode ajudar as famílias a terem mais autonomia em diversas situações.

Pode ser a possibilidade de proporcionar aos filhos acesso a um ambiente educativo internacional, expandir as atividades empresariais, adquirir bens no mercado estrangeiro ou, simplesmente, ter mais um local onde viver, caso seja necessário.

A fixação e o desafio do planeamento para a próxima geração

No caso das famílias com um património avultado, a decisão de se estabelecerem não é, normalmente, tomada apenas pela geração atual.

O valor a longo prazo reside também nas oportunidades oferecidas aos filhos.

Um direito de residência estável pode alargar as opções em termos de estudos, emprego e desenvolvimento profissional para as gerações futuras. Quando combinado com um plano patrimonial e sucessório adequado, o aspeto da residência pode tornar-se parte integrante de uma estratégia de planeamento familiar multigeracional.

No entanto, as questões relacionadas com impostos, património e sucessões podem variar significativamente de país para país. Por isso, uma decisão de residência deve ser avaliada em conjunto com aconselhamento jurídico e fiscal especializado.

O programa EB-5 na estratégia de construção de uma «segunda casa» nos EUA

Para as famílias que pretendem mudar-se para os Estados Unidos, o programa EB-5 é uma das opções que suscita maior interesse entre os investidores internacionais, uma vez que o objetivo não é apenas viajar, mas sim obter um estatuto de residência de longa duração.

Se cumprir integralmente os requisitos do programa, o investidor EB-5 pode, juntamente com o cônjuge e os filhos solteiros com menos de 21 anos, obter o estatuto de residente permanente nos Estados Unidos.

A diferença reside aqui no objetivo a longo prazo: o programa EB-5 não se limita a proporcionar acesso aos Estados Unidos a curto prazo, mas visa garantir um estatuto de residência estável para toda a família.

Isto faz com que o programa se torne uma opção a ter em conta para os investidores que procuram uma «segunda casa», em vez de apenas um «segundo passaporte».

A decisão de se estabelecer não deve ser tomada quando a crise já se instalou

Um dos princípios fundamentais da gestão de riscos consiste em preparar-se antes de o risco surgir.

O mesmo se aplica à migração por investimento.

A obtenção de um segundo direito de residência requer, normalmente, algum tempo para escolher o programa, preparar os recursos financeiros, completar a documentação e cumprir os requisitos legais. Se só se começar a agir depois de uma mudança já ter ocorrido, muitas opções podem já não ser adequadas ou não poderem ser concretizadas de imediato.

Por isso, para as famílias com planos a longo prazo, analisar a situação com antecedência pode trazer mais vantagens do que esperar até que seja realmente necessário recorrer a uma alternativa.

Conclusão

A migração por investimento está a passar gradualmente de uma questão de «passaportes mais poderosos» para uma perspetiva mais ampla sobre a liberdade de escolha, a gestão de riscos e o planeamento do futuro da família.

Para os investidores com um património avultado, um segundo direito de residência pode constituir parte integrante de uma estratégia de diversificação — não só no que diz respeito ao património, mas também ao local de residência, à educação, aos negócios e às oportunidades para a próxima geração.

Porque um bom plano não consiste em esperar que as perturbações ocorram para só então procurar soluções.

Trata-se de criar uma opção antes de realmente precisarmos dela.

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